Roteiro de Verão I
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Há assobiadelas históricas. Há assobiadelas com História e com histórias.
Quem não se lembra da assobiadela contra Durão Barroso na inauguração do Estádio da Luz? ou da assobiadela a José Sócrates na manifestação de professores, em Coimbra?
Há assobiadelas de ordem, curtas e incisivas, há as de cortejo, prolongadas e doces, há as poéticas, musicais e sinfónicas, há as de reclamação, quase sempre acompanhadas de apupos… Bem vistas as coisas, há as de todo o tipo que traduzam em som as emoções do momento.
De há uns anos a esta parte, as festas, arraiais e festanças do concelho têm sido aproveitadas para discursatas politiqueiras, naturalmente inoportunas. Na Festa de Montargil, que decorreu no princípio de Junho, foi forte a assobiadela durante o comício dos srs. presidentes da Junta de Freguesia e Câmara Municipal, respectivamente. O plano foi abortado. Aguardemos então pelas Festas da Cidade…
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in, Jornal APonte, Jul.2008
O futuro já começou
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Mesmo sob a chuva intensa que caía, os mais de cem trabalhadores [da Delphy] não desmobilizaram, demonstrando que a luta não é para acabar assim.
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Os resultados são o futuro que os trará e o futuro já começou…
in, Jornal APonte, Jun.2008
O insulto
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Em resposta ao comunicado do PCP de Ponte de Sor sobre a sua posição política, as preocupações quanto ao processo de encerramento da Delphi e a situação criada a mais de 500 trabalhadores, Taveira Pinto sacou da caneta e do papel timbrado do município, para, além dos comentários costumeiros sobre os comunistas do concelho e a sua legítima intervenção, enxovalhar, denegrir, deturpar e nada dizer.
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Perante os factos e os argumentos assumidos pelo Presidente da Câmara, o que se verifica na prática, para além de cismar que alguém o anda a insultar e do dinamismo que procura demonstrar junto dos trabalhadores, é uma aceitação tácita de políticas de Governo que não salvaguardam direitos e garantias dos trabalhadores, que não minimizam as assimetrias de desenvolvimento económico e social no País, que são coniventes com a decisão da administração da empresa e passivas perante todo o processo de deslocalização.
Mais: no Diário de Notícias de 21 de Abril, Taveira Pinto refere que o encerramento da Delphi não é uma “tragédia” (sic).
Isto sim, é um insulto à unidade dos trabalhadores e à luta pelos seus direitos. Isto sim, é um insulto à população e ao modelo de desenvolvimento local deste concelho.
in, Jornal APonte, Mai.2008
O Futuro Tristonho
Se, do ponto de vista editorial fosse aceite, apresentaria esta coluna de mil e tal caracteres toda em branco. Ainda assim, mais não será que uma muito breve reflexão de preocupação sobre a notícia que ensombrou o passado fim-de-semana: o encerramento da Delphi, com o consequente despedimento dos seus cerca de 530 trabalhadores.
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Que as lutas travadas ao longo destes anos de existência, pelos postos de trabalho ou pelos salários, sejam o fio condutor para demonstrar união por um único objectivo. E esta luta não é nem será só dos 530 trabalhadores. Caso contrário, e mais uma vez, a culpa morrerá solteira…
in, Jornal APonte, Abr.2008
Gato escondido com rabo de fora
Em meados do passado mês de Fevereiro, apareceu na comunicação social nacional, com base nos dados revelados pelo Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, a notícia de que a autarquia de Ponte de Sor prescindia dos 5% do IRS gerado pelos contribuintes do concelho.
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Acontece que tal “novidade”, de Ponte de Sor estar na lista dos municípios que abdica dos 5% do IRS, não corresponde de todo à decisão tomada em Dezembro de 2007, pela Câmara Municipal.
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Confrontado sobre os factos, o Presidente da Câmara não respondeu. Ou melhor, disse que: “…o melhor é irem [os vereadores da CDU] perguntar ao Correio da Manhã…”
Das duas, uma: ou Taveira Pinto não tem mão nem assegura a execução do que é decidido pelo órgão a que preside, ou está-se pura e simplesmente nas tintas para o que a Câmara delibera, decidindo a seu bel-prazer, conforme a direcção do vento. Aqui há gato…
in, Jornal APonte, Mar.2008
Ainda não é tarde
Há uns anos, num debate sobre juventudes partidárias, quando me perguntaram porque é que me inscrevi e militava num partido político, respondi que era uma forma de garantir a minha liberdade e a dos outros. Saiu-me… Hoje, quando ainda penso naquela resposta repentina e até ingénua, sou forçado a sublinha-la porque volta a fazer cada vez mais sentido, a luta pela liberdade.
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in, Jornal APonte, Fev.2008
Entrar com o pé direito
[...] Na imprensa regional e nacional, não há crónicas optimistas sobre o que nos espera o novo ano. Passado o enevoado do reveillon, os ditos “inevitáveis” aumentos dos bens de consumo e serviços essenciais, o não acompanhamento em proporção do aumento dos salários, as incertezas perante as reformas do governo para a estrutura da administração, da segurança social, para o sistema de saúde e educativo que criaram, em 2007, uma onda de descontentamento geral, transversal ao espectro político, são aspectos que se denunciam por si só.
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Em 2008 andaremos todos a especializar-nos em comboios de alta-velocidade e em pontes e em aeroportos ou aeródromos.Em 2008 assistiremos ao incansável trabalho, devidamente calendarizado, para lançar obra em Ponte de Sor e no concelho, ainda que por prova comprovada as verbas inicialmente previstas para projectos importantes, inseridos nas competências do município para os sectores da acção social e educação, e que encheram o olho no ano transacto, já foram e estão a ser literalmente transferidas para outros fins.
Em 2008, 10% da população portuguesa ficará a mais de 45 minutos da urgência mais próxima. [...] Ponte de Sor terá um Serviço de Urgência Básica, seja lá o que isso for. Mas o facto dos concelhos limítrofes e alguns lugares em freguesias do nosso concelho, terem de recorrer a esse serviço, não é a pomposa sigla S.U.B. que irá retirar as dores de cabeça aos utentes.
Em 2008 enquanto não equipararem o fumo de cigarro à opinião pessoal, ainda vai sendo permitido opinar em qualquer espaço, sobre um ano de preocupações, sobretudo se nos preocuparmos com as preocupações do governo!
in, Jornal APonte, Jan.2008
O P.P.I
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Este documento é nuclear para a execução e actividade financeira da administração local, pelo que por analogia (e contrariamente aquilo que o próprio Presidente da Câmara diz), é um documento estratégico que reflecte as opções políticas adoptadas e a adoptar.
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De facto, pela a análise comparativa que se fez com o(s) ano(s) anterior(es), está plasmado no documento a falta de rigor político, característica intrínseca desta forma de gerir território: continuam a ser sucessivamente repetidos, adiados e transferidos Programas e Acções do Município sem qualquer execução – 2009, o ano das eleições ainda vem distante… Pasme-se que nem o próprio presidente da Câmara sabia que já não constavam no plano por ele proposto a discussão, recorde-se, os Projectos para o Recinto da Feira, em Ponte de Sor e a Requalificação Urbana da Entrada Poente da Cidade, correspondente (por acaso) às obras actualmente a decorrer na Estrada de Abrantes até ao Domingão!
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in, Jornal APonte, Dez.2007
As boas intenções
Por mais que nos digam que “tem que ser assim” e por mais que muita gente encolha os ombros a dizer que “a culpa é deles”, não há inevitabilidades. Tudo depende de um acto político e o Orçamento de Estado é exemplo disso mesmo.
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A diminuição efectiva de investimento, quer no distrito quer no concelho, ultrapassa todos os níveis de preocupação do que se entendem como eixos estruturais mínimos para a dinamização económica e social do Norte Alentejano e de um concelho com as características do nosso.
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Se fosse um dos dois deputados do PS, eleitos pelo Distrito de Portalegre, ou outro agente local do partido do governo, coraria de vergonha com os números apresentados. Talvez também seja por isso que estejamos em época baixa de discursos sobre o desenvolvimento de Ponte de Sor.
in, Jornal APonte, Nov.2007
O Simplex democrático
O Fórum Poder Local Jovem, formado em Fevereiro deste ano, visa “debater os problemas e desafios que se colocam às autarquias”. Segundo os termos da sua constituição, os critérios em que assentam são “única e exclusivamente etários, sendo aceites todos os autarcas que até à altura da eleição contassem até 35 anos, independentemente da sua filiação partidária.” Após o terceiro encontro, em Setembro último, foi definido que o Fórum seria alargado também aos vereadores, “com vista a fomentar um debate mais rico e construtivo.”
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De facto, o meu entusiasmo durou pouco. Numa notícia de balanço sobre o referido encontro, no qual não participei, os “jovens autarcas querem executivos monocolores”. Os jovens autarcas presentes, com menos de 35 anos, sobre quem a liberdade ganha com o 25 de Abril, lhes foi oferecida de mão beijada, e pela voz do presidente da Câmara Municipal de Baião, do PS, defende(m) que a nova legislação autárquica deve garantir a formação de executivos municipais monocolores.
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Bem, se o Fórum Poder Local Jovem esteve quatro horas para apoiar este perigoso simplex democrático, estamos perante jovens cinzentos e diante da prova comprovada que mentalidades e estados de espírito não têm idade.
in, Jornal APonte, Out.2007
Não assine de cruz
Ao longo deste mandato autárquico, surgiram em espaçadas reuniões do executivo municipal, três petições – infelizmente não mais que isso -, para a Câmara Municipal promover a execução de obras e de melhoramentos, não necessariamente por esta ordem, na estrada da Torre das Vargens, nos passeios ao longo da Estrada Nacional entre Ponte de Sor e o Domingão e em arruamentos urbanos.
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Satisfaz-me que haja participação popular. Satisfaz-me aperceber que há um interesse colectivo para melhorar e resolver problemas, mas é competência de uma autarquia agir por antecipação, ou não fosse o interesse público a base para o trabalho no poder local.
A necessidade de se abordar, de uma outra perspectiva, a gestão autárquica para Ponte de Sor, é indispensável. Sobretudo, é fundamental que um dos pilares seja sempre a necessidade de se programar uma política de proximidade e de aproximação ao munícipe.
Uma política social que não seja escrava dos períodos eleitorais autárquicos, uma política económica programada que envolva os agentes locais de desenvolvimento, uma política de apoio e promoção do associativismo cultural e desportivo que não se baseie em decisões discricionárias, uma política urbana que projecte a qualidade de vida da cidade e do concelho.
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in, Jornal APonte, Set.2007
Com licença
A novela em torno da Albufeira de Montargil/Grupo CS tem novos episódios. Perdoem-me a insistência, mas, a sequela que foi apresentada na edição de 18 de Julho do Semanário Económico, assim exige a partilha de mais algumas reflexões.
A reportagem na dita edição, decorre de uma entrevista ao Eng. Carlos Saraiva, o rosto visível dos vários investimentos turísticos previstos e a decorrer junto à Albufeira de Montargil.
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Pelos vistos e pelo à-vontade nos argumentos do presidente do Grupo CS, é recorrente o sistema adoptado para vários projectos seus. Logo no início da peça, é referido que «resolve as “irregularidades” com um projecto de alterações» e reconhece, sem problema, que a obra de construção [na zona de protecção da Albufeira de Montargil, a poucos metros da água e em Rede Natura 2000] é “ilegal mas licenciável”.
Com que direito? Que ramificações se tecem neste diagrama de relações público-privadas, empresariais, institucionais e de poder, para fundamentarem tamanhas certezas?
O investimento turístico que o presidente da Câmara foi anunciando cirurgicamente antes das eleições autárquicas de 2005 e que apadrinhou feito seu, agora, perante tamanho imbróglio de processos de licenciamento mal resolvidos, põe-se de parte a ver no que dá, porque, afirma, a competência é de outro ou de outros que não o próprio.
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in, Jornal APonte, Ago.2007
No melhor pano cai a nódoa…
Quando há cerca de três ou quatro meses, o Presidente da Câmara de Ponte de Sor “descobriu” que a Junta de Freguesia de Galveias estava prestes a inaugurar uma piscina pública, que, por erro de implantação, saía do perímetro urbano da vila e invadia uma área afecta à reserva ecológica nacional, um comunicado, qual tiro de rajada que procurava, pelo menos, ferir tudo e todos, a denunciar as graves ilegalidades, não se fez esperar…
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Ninguém negou, de facto, que estávamos perante uma desconformidade com o Plano Director Municipal de Ponte de Sor.
Mais uma vez claro está, e para não variar, a forma como foi desempenhado o espírito de entreajuda de Taveira Pinto, é que se questionou. Mas a população de Galveias percebeu a golpada e a politiquice!
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Penso não correr o risco de partilhar com todos, que neste momento assistimos a uma esgotamento ético, político e moral deste executivo PS, encabeçado por Taveira Pinto.
Com posturas públicas destas, o presidente da Câmara corre o sério risco de fazer engrossar inesperadamente o grupo dos que se vão rindo às gargalhadas dos sucessivos números circenses.
in, Jornal APonte, Jul.2007
Sem luta, perde-se sempre
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Moral da história: a comissão de utentes dos serviços públicos de Montargil conseguiu que o Ministro da Saúde oferecesse garantias de que o Centro de Saúde de Montargil não iria encerrar.
Pelo meio, ou mais correctamente em paralelo, a estrutura concelhia do Partido Socialista demonstrou o que a move: ao invés de estar ao lado dos anseios das populações, limitou-se a rotular esta manifestação de luta, para variar, como oriunda de um partido político… tudo o mais foi um silêncio ensurdecedor!
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O PS de Ponte de Sor transformou a ofensiva nacional do Governo aos direitos da população no acesso a serviços públicos de qualidade, em infeliz ofensiva local.
Esta linha de acção política, adequa-se à postura adoptada pela maioria PS em Ponte de Sor, na recepção da Sr.a Ministra da Educação, no passado dia 16 de Maio. Sob proposta do Vereador da Cultura, Prof. Luís Laranjeira, a entrega de uma medalha de mérito da cidade de Ponte de Sor, mais não representa o simbólico apoio às políticas de educação em curso. [...]o PS de Ponte de Sor, pela voz do Sr. Vereador da Cultura, condecorou mais uma vez uma má política que fomenta a precarização das carreiras docentes e não docentes. Infelizmente, a política que defende.
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in, Jornal APonte, Jun.2007
A maioria absurda
O regime democrático tem, no direito de voto, a sua essência e a virtude de todos podermos participar na eleição de um organismo, de uma autarquia ou de um governo.
A capacidade de aceitar um resultado eleitoral, sobretudo quando contrário ao da sua opção de voto, é atribuída ao sentido democrático de um povo e à sua maturidade. A perspectiva é realista e indiscutível, parece-me.
Há cerca de ano e meio, os munícipes de Ponte de Sor elegeram a Câmara Municipal. [...] Com uma simples análise aritmética, sem lápis nem papel, consegue-se calcular que a posição maioritária do PS, se votarem em uníssono, como aliás tem acontecido sempre, prevalecerá sobre a da oposição, mesmo que com igual sentido de voto.
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O labirinto político é de tal ordem que é mais importante infernizar quem apresenta um ponto de vista diferente do que apurar a essência e a importância ou o enquadramento legal que uma simples deliberação municipal pode conter. É mais importante deturpar uma apreciação sobre determinado assunto do que fazer uma concertação de opiniões.
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Se neste frenesim quotidiano se arranjasse um tempo para parar e pensar, e não nos deixássemos fascinar com promessas mediáticas de desenvolvimento sustentado ou pancadinhas nas costas, perceberíamos instantaneamente que o diapasão de uma maioria absoluta afina e desafina ao tom que mais lhe convier.
É também por isto e, obviamente por muito mais, que me continuam a sobrar razões para comemorar Abril. 25 de Abril, sempre!
in, Jornal APonte, Mai.2007
O optimismo – parte II
O optimismo não se gere. Adopta-se.
Há cerca de um mês fomos brindados com mais uma peça literária depositada nas caixas de correio das nossas casas. Ao que consta, mesmo naquelas que ainda ostentam o autocolante com o dístico “proibida a publicidade não endereçada”.
A missiva, assinada pelo Presidente da Câmara de Ponte de Sor e patrocinada com dinheiro público, procurava explicar o inexplicável.
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E o que se ficou a saber? Que o assunto era irrisório, sem importância e que tudo está resolvido e devidamente investigado.
Ok! Assunto encerrado. Mas, se assim é, o que justifica tamanho chavascal?
Pelos vistos só Taveira Pinto conhece a dimensão do problema que ele próprio criou e que não consegue comprovar nem explicar a quem de direito: aos munícipes e, sobretudo, aos que nele votaram.
Como optimismo não é sinónimo de ilusão, nada disto teria importância, se não me preocupasse com o facto de Ponte de Sor necessitar e merecer, uma gestão autárquica mais saudável.
Como alguém escreveu um dia: “As injúrias são os argumentos daqueles que não têm razão”…
in, Jornal APonte, Abr.2007
O optimismo
Já paira no ar um clima primaveril, onde o optimismo vai tomando lugar nos dias que correm. [...]
Só mesmo o optimismo é que nos ajuda a iludir a percepção de um País que rivaliza o ranking dos últimos da União Europeia. Só a crença no optimismo faz afiançar que estamos a apertar o cinto e que lá para o Verão do ano que vem tudo vai estar muito melhor…
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in, Jornal APonte, Mar.2007
Não gosto de anos ímpares
Não é crença. É só um despreocupado exercício estatístico. Afinal de contas nasci em ano ímpar…
Assim, por exclusão de partes, fiquei a gostar mais dos anos pares, como o agora findo 2006. O ano da “afirmação do concelho de Ponte de Sor”, com a inauguração do Aeródromo de Ponte de Sor e da Fundação António Partes, o ano da construção de uma nova escola de Ensino Básico, da resolução definitiva do problema da habitação social no concelho e da conclusão das obras da Zona Ribeirinha, por exemplo.
Como muitos, eu também gostaria de acreditar nisto, sobretudo ao reler as entrevistas e as notas de imprensa do Município que o afirmavam, em finais de 2005 e ao longo do ano passado. Os factos são, de facto, outros. E não queria deixar em branco, este muitíssimo breve balanço sobre os anunciados projectos municipais.
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in, Jornal APonte, Fev.2007
Não há inevitabilidades
[...] O dia alternado de céu cinza e sol, não demoveu, no passado dia 25 de Novembro que estudantes, trabalhadores dos sectores público e privado e reformados, saíssem à rua e respondessem ao apelo da CGTP-in para comparecer, em muitas capitais de distrito, na manifestação de protesto pela mudança de políticas de governo.
Apesar de sábado e ainda por cima chuvoso, encontrei composto o Rossio de Portalegre, local do nosso ponto de encontro.
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Fixei a minha atenção numa comissão de utentes que protestava contra o encerramento do centro de Saúde de Montargil. Este grupo mobilizou-se para transmitir naquele dia, a angústia que se perspectiva na freguesia de verem desaparecer mais um serviço público. Como alguém desabafou, “como é possível prometerem-nos o desenvolvimento de Montargil com o turismo e o emprego à volta disso, se depois acabam com estas estruturas que determinam a efectiva qualidade de vida da população?”. “Não vamos baixar os braços”, repetia uma mulher.
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Como referia a moção aprovada pelos trabalhadores, nesse dia chuvoso: “Não há inevitabilidades; há vontades e opções políticas.”
in, Jornal APonte, Dez.2006
Os limites da liberdade
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Perante a eminente aprovação da nova lei de financiamento das autarquias locais (LFL), proposta pelo governo do PS e cuja responsabilidade política deverá ser imputada à maioria absoluta que detém no parlamento, será posta em causa a autonomia financeira dos municípios e traduzirá uma distribuição ainda mais desigual de transferências em prejuízo dos municípios do interior do País, reduzindo em muito a sua capacidade de investimento.
Exemplos? Dos 110 municípios com menos de 10.000 habitantes, 96 perdem fundos (87%), dos 68 municípios entre 10 e 20.000 habitantes, onde se insere Ponte de Sor, 35 perdem fundos (52%), dos 24 com mais de 100.000 habitantes, só 9 perdem fundos (37%).
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in, Jornal APonte, Nov.2006
Com o dinheiro não se brinca
No frenesim que hoje vivemos, deixamos quase sempre para um plano secundário a tarefa de avaliação, fundamentado no argumento de que “avaliar não interessa, interessa é fazer”.
Provavelmente no dia em que o caro leitor estiver debruçado sobre esta coluna, já a Fundação António Prates estará inaugurada e aberta ao público. Ou não!…
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A abertura anunciada para meados do anterior mandato autárquico, foi sendo sucessivamente adiada. [...]
No total, falamos de mais de 740 mil contos gastos, não constando nesta breve resenha, os valores dos honorários relativos aos vários projectos executados, nem o IVA aplicável a cada parcela.
De facto, experiência não é sinónimo de competência, como aliás se pode comprovar no historial de todo este processo e esta desprogramação enfadonha do programa cultural de Ponte de Sor, tantas vezes anunciado, apresenta um reverso de peso – os valores e a sua avaliação.
Sr.Presidente da Câmara, faça um favor à despesa pública: abra de vez o centro de arte moderna. Eu, como muitos, sempre ouvimos dizer que “com o dinheiro não se brinca”.
in, Jornal APonte, Out.2006
Ecologistas em part-time
A questão ambiental surge sempre abordada em qualquer discurso político sobre o desenvolvimento sustentável de um território. Por moda, porque fica bem, ou claro, por seriedade… Contudo, a sua efectiva defesa é muito pouco tida em conta.
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Sei que a passividade de alguns, relativamente a esta problemática, está a alterar-se aos poucos, mas só se tornará notada com uma frente de associativismo local, com carácter e preocupação ambientalistas que alerte permanentemente para este estado de coisas. Unimo-nos?
in, Jornal APonte, Set.2006
A culpa morre sempre solteira
Por causa de projectos há muito ansiados, este ano não me permite programar as férias de Verão. [...]
O programa não é rígido, contudo, neste primeiro dia, aproveitaria a manhã para umas compras e resolver um problema que trago pendente há bastante tempo – a resolução de uma factura de electricidade erradamente emitida. De tarde logo se vê… mas um dia de férias é passado junto à frescura da água, numa exposição, no cinema, a passear… e afinal de contas estava um dia tropical, sem sol agressivo, mas um daqueles dias em que o suor não seca na pele e qualquer espaço exposto ao vento é o local ideal para estar.
As prévias considerações servem somente para mergulhar directamente na moral da história. Após as voltas dadas, o que se poderá contar?
O Mercado Municipal por não dar lucro à Câmara, naquele dia estava encerrado; como já não existe escritório da EDP em Ponte de Sor, a reclamação terá que seguir por carta ou mail; como a Fundação António Prates, ainda e sempre em obras, continuava fechada, não me foi permitido ver a tão falada colecção de arte que até já teve honras de visita ministerial.
Lembrei-me que à noite poderia ir ao cinema, mas deparei na porta com um anúncio de que estão encerrados durante todo o mês de Agosto. Maldita sorte não ter um avião, para poder usufruir do aeródromo!…
Este meu dia só não é um périplo de descobertas, porque há muito que conheço este apregoado progressozinho do concelho, que os políticos de poder periodicamente fazem publicitar nos escaparates.
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in, Jornal APonte, Ago.2006
Óleo Sobre Tela
É inquestionável a aposta de uma autarquia na cultura de um concelho e sobretudo, em assegurar, a todos os munícipes, o acesso aos seus eventos e iniciativas.
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Neste ponto de vista, a mais-valia que representa a abertura da Fundação António Prates (FAP) como núcleo e casa das artes, motor de uma dinâmica cultural, é uma aragem renovada, há muito reclamada por todos.
Preocupantes são, no entanto, os aspectos menos secundários do projecto, ligados ao investimento público despendido pelo Município de Ponte de Sor.
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Mas o que se pretende realmente da FAP? Quem compõe os órgãos da Fundação? De que é composto o seu espólio que justifica investimentos de mais de 3 milhões de euros? Quem assegurará a sua programação cultural? Qual o valor final real da obra e o peso que representará para o município?
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Enfim, é-nos prometida oferta cultural, mas o facto é que só no último mandato autárquico foram investidos milhões de euros na FAP, em detrimento de outras expressões culturais locais e de outras iniciativas. Não nos queixemos, por isso, do fenómeno consequente desta política cultural: criar-se uma elite de Cultura desenraizada da terra, numa terra desenraizada da Cultura.
in, Jornal APonte,Mai.2006
A Traição dos Funcionários…
Com a publicação em 30 de Junho, da Resolução do Conselho de Ministros que aprova um conjunto de medidas relativas à gestão da Função Pública, vem-se comprovar que os discursos de campanha eleitoral são uma coisa e a execução governativa é outra muito diferente. Enquanto um discurso enche de esperança uma larga maioria, o outro, corresponde àquele que efectivamente é realizado, deitando por terra a ideia de que “isto” algum dia terá um rumo.
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Estas medidas atentatórias, foram a origem de uma jornada nacional de luta, levada a cabo pelos trabalhadores da Administração Pública e que juntaram, durante o mês de Junho, milhares de manifestantes nas ruas de Lisboa e nas capitais de distrito, culminando com a Greve Geral da Administração Pública em 15 de Julho.
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E por cá? A mobilização de trabalhadores do município de Ponte de Sor rapidamente se esvaneceu quando, através da via administrativa, pela voz do Presidente da Câmara Municipal, foi transmitida a intenção de não ceder dispensa dos funcionários para a Manifestação Nacional de 17 de Junho, em Lisboa, uma das maiores alguma vez realizada.
Aqui, há muito que se reclama por liberdade sindical. [...]
Aqui, por vontade de alguns, “feriado em Abril, só no dia dos enganos”.
in, Jornal APonte, Jul.2005
Para meio entendedor…
Serve esta minha nota introdutória, para assumir um compromisso de reflexão acerca do papel dos órgãos de comunicação social locais, com claro destaque para A Ponte e para a rádio de Ponte de Sor, apelando a todos o empenho para os manter vivos.
A importância da comunicação social local, nas suas diferentes expressões, assume, hoje, uma importância fundamental, não na notícia em si, mas na divulgação de opiniões acerca da actualidade local e regional.
De facto, se há alguns anos, a mobilização de pessoas se fazia de uma forma menos exigente, reflexo de contextos sociais onde prevalecia a vontade colectiva, hoje, com a alteração desses valores, torna-se complexo aperfeiçoar um debate de continuidade. É por isso saudável a divulgação da voz e da palavra, da ideia e da razão, nas suas múltiplas formas de expressão, base para a clarificação dos valores da liberdade e da democracia.
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in, Jornal APonte, Jun.2005
A Esquerda, a Direita e os Vira-Casacas
“O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.” Bertold Brecht
Sempre me provocaram arrepios, aqueles que concluem como resposta: “por um lado sim, por outro lado não… não sei!”, ou então “eu cá de política não percebo nada”. Conclusões quase sempre acompanhadas por um sorriso amarelo, esclarecedor de perfeita ignorância.
- E o senhor, é de esquerda ou de direita?
- Olhe, por um lado sou de esquerda, por outro sou de direita… Mas eu cá de política, não percebo nada. Nem me meto…”
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À porta das eleições legislativas e autárquicas, empoleiram-se em bicos de pés os comportamentos políticos que pretendem deixar ecos de frases-chave com grande enquadramento nos media. E depois? Constatamos no fim que a actuação política governativa a que assistimos, se traduz no desfasamento entre o discurso político e a sua prática, transformando-se numa problemática transversal dos dois partidos que têm ocupado o poder, no passado recente da democracia em Portugal. Talvez por isso, os eleitores mais incautos, se deixem oscilar num balanço bipolarizador de governação. Mas esses, são os que não sabem que é o facto político que cria dinâmica de bem-estar, nem assumem uma consciência colectiva sobre a diferença entre votar à direita ou votar à esquerda.
in, Jornal APonte, Dez.2004